ESPORTES
Larissa Rossi venceu suas duas lutas e conquistou a medalha de ouro na seletiva aberta
Adriana Lopes
27/02/2025 - quinta às 15h16
No início de 2024, aos 20 anos, uma das maiores promessas do taekwondo brasileiro, Larissa Rossi (RS Team/Fupes), se assustou ao descobrir a gravidez, após dois anos vitoriosos, recheados de conquistas nacionais e internacionais, integrando a seleção brasileira e o projeto Radar 2028, da CBTkd e COB, para preparação de atletas visando os Jogos Olímpicos de Los Angeles. Em pouco mais de um ano, entre os dias 19 e 22 de fevereiro, ela retornou às competições, mais motivada do que nunca, subindo no pódio com a pequena Katherine, 5 meses, no colo, medalha no peito e classificação para a equipe reserva do time brasileiro.
A saga da lutadora da Cidade no Rio de Janeiro começou com a participação na seletiva aberta nacional, no dia 19. "Como no ano passado eu estava grávida, não participei do Grand Slam, competição que define a seleção brasileira, e de nenhum outro campeonato qualificatório para a edição deste ano, que é fechada", explica. "Mas eles dão uma oportunidade realizando, na mesma semana do Grand Slam, uma seletiva aberta, com o primeiro lugar garantindo vaga para a disputa fechada".
Larissa Rossi venceu suas duas lutas e conquistou a medalha de ouro na seletiva aberta. No final de semana, enfrentando as melhores do País no Grand Slam, venceu duas lutas e perdeu a final para a representante do Rio de Janeiro, em disputa bastante acirrada. A medalha de prata garantiu o retorno da atleta à seleção, na condição de reserva, e a oportunidade de representar o Brasil no Rio Open Internacional, que garante vaga para o Campeonato Pan-Americano.
"Depois de cinco meses de uma cesárea, minha bebezinha faz seis no dia 1º de março, voltei a treinar há três meses", afirma Larissa, descrevendo esse período. "Foram três meses de preparação, respeitando meu corpo, minha cirurgia, tendo que perder muito peso, que acabei ganhando na gestação, mas tudo valeu a pena", diz a lutadora.
"Graças a Deus não atrapalhou em nada, na maternidade, na amamentação. Estou muito feliz da minha filha poder viver isso comigo, com meu marido (também taekwondista da Fupes, Nickollas Souza Ribeiro, 32) e minha família. Não sei se eu esperava, a gente acredita, treina, dá nosso melhor e o resultado me surpreendeu muito. Eu queria o ouro, mas sei que o tempo de Deus é perfeito".
Larissa já está animada para a disputa do Rio Open, que será de 14 a 18 de maio. "Sei os pontos que tenho que trabalhar, sinto que meu corpo está muito bem preparado para fazer esses ajustes e dar continuidade ao meu trabalho. Estou muito feliz de estar de volta, fazendo o que amo, com a minha filha que é a minha maior medalha de ouro, com meu marido que sempre está do meu lado me apoiando, meu treinador, preparador físico e nutricionista".
A mamãe da Katherine diz que quer compensar o tempo parada com inteligência, estratégia e trabalho, e faz questão de agradecer ao técnico da Fupes Rodney Saraiva: "Quando descobri a gravidez, ele sempre me colocou para cima, falou que eu ia voltar no mesmo nível ou até melhor, que íamos trabalhar muito e é isso que está acontecendo e vai acontecer".
Também ressaltou a importância dos colegas de treinamento, do preparador físico Matheus Nascimento e a nutricionista Raphaella Galacho. "Fez milagre para eu emagrecer com qualidade, sem perder o rendimento", frisa.
INÍCIO AVASSALADOR E SONHO OLÍMPICO MAIS VIVO DO QUE NUNCA
Aos 14 anos, Larissa Rossi conquistou sua primeira medalha no taekwondo. Era o início da trajetória da lutadora que se transformou em uma grande promessa da modalidade. Com 15, já brilhava ao conquistar a prata no Mundial Escolar (Gymnasiade), em Marraquexe, no Marrocos, passando a acumular títulos nacionais e internacionais, integrando a seleção júnior. Aos 16 anos, desbancava as veteranas e tornava-se, pela primeira vez, titular do time principal adulto do taekwondo brasileiro.
Larissa subiu para uma nova categoria, até 53kg e, em 2022, conquistava a medalha de prata no Rio Open Internacional, vencendo a titular e a reserva da seleção nacional. O resultado colocou a lutadora da Fupes na seleção brasileira Radar 2028, um projeto da Confederação Brasileira de Taekwondo (CBTkd) e Comitê Olímpico Brasileiro (COB) para preparar e observar taekwondistas para possivelmente representar o Brasil nos Jogos Olímpicos de Los Angeles.
Larissa correspondeu às expectativas: em 2022 foi vice-campeã do President's Cup 2022 (EUA), bronze no Open da Costa Rica, prata na Argentina, vice-campeã pan-americana, em SP, vice no Chile Open, campeã e eleita a melhor atleta da competição no Colômbia Open, ouro no Peru Open, terminando o ano com a 14ª posição no ranking mundial da categoria e recebendo o Prêmio Melhores do Ano da Fundação Pró-Esporte de Santos (Fupes).
Em 2023, garantiu vaga de titular na seleção brasileira adulta, conquistou o bronze no Pan, participou de treinamento em diversos cantos do planeta e chegou a 11ª posição no ranking mundial. Representou o País no Mundial de Baku, no Azerbaijão, foi bronze no President 's Cup (RJ) e se tornou a 3º Sargento Rossi da Marinha do Brasil, passando a representar as forças-armadas por meio do esporte. Voltou a ganhar o prêmio Melhores do Esporte da Fupes.
No final de 2023, Larissa engravidou do marido, o taekwondista Nickollas Souza Ribeiro. Ela só descobriu entre janeiro e fevereiro de 2024. "Foi um susto, eu não esperava, eu não estava preparada". A gravidez da pequena Katherine não foi planejada, mas, Larissa, atualmente com 22 anos, diz que veio no momento certo, já que 2024 era ano olímpico, o ranking tinha sido zerado e o País não teria vaga na sua categoria em Paris.
Agora, primeiro ano após os Jogos, com o ranking zerado e condições iguais, Larissa volta às competições com o mesmo objetivo: ir para Los Angeles, em 2028, e buscar o ouro olímpico. "Agora, não por mim, mas por algo maior, que é minha filha, meu marido e, como sempre, pela minha família", conta. "Agora é trabalhar, acreditar, sonhar e ter atitude".
Deixe a sua opinião
ver todos