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Onda de calor e aumento de casos acendem alerta contra a dengue em São Paulo

Carolina Brites

19/02/2025 - quarta às 15h13

A segunda onda de calor do ano, prevista para os próximos dias, com sensação térmica podendo chegar a 70°C em algumas regiões do Brasil, traz com ela o alerta para a previsão do aumento dos casos de dengue. No estado de São Paulo, o número de casos já apresentou alta significativa nos primeiros 40 dias de 2025, registrando mais de 120 mil infecções, com a morte de uma criança de 11 anos pela doença confirmada.

 

Segundo a infectologista pediátrica Carolina Brites, "o mosquito Aedes aegypti é mais frequente em áreas urbanas, onde há aglomeração de pessoas e grande disponibilidade de locais propícios para os depósitos de ovos, que se desenvolvem em águas paradas. Este período sazonal, com aumento de temperatura e chuvas no final do dia, agrava a situação do aumento de casos".

 

Para conter o avanço da dengue, a vacinação foi priorizada e está sendo aplicada na rede pública para crianças e adolescentes entre 10 e 14 anos, faixa etária definida pelo Ministério da Saúde como prioritária. "A vacina tem registros de aplicação e segurança dos 4 aos 60 anos de idade, em duas doses. A orientação é que todos os pais dessa faixa etária vacinem seus filhos e que aqueles que possam ir até clínicas particulares imunizem tanto as crianças quanto os adultos até 60 anos. Quanto mais pessoas imunizadas, menor a propagação da doença e a gravidade dos casos", pontua a infectologista.

 

Além da vacinação, é sempre importante lembrar que a principal forma de prevenção é evitar o acúmulo de água parada, onde o mosquito deposita seus ovos. O Ministério da Saúde recomenda diversas medidas como manter caixas d'água tampadas, limpar calhas, guardar pneus em locais cobertos, virar garrafas para baixo, limpar ralos e bandejas de ar-condicionado, e evitar o acúmulo de água em vasos de plantas e outros recipientes. "A população deve estar atenta e adotar essas medidas rotineiramente, pois o ciclo de reprodução do mosquito é rápido, e pequenas negligências podem resultar em novos focos", alerta Carolina Brites.

 

Cuidado com as crianças

Os profissionais de saúde também devem estar atentos aos sintomas da doença, principalmente em crianças. "Os médicos precisam considerar a dengue no diagnóstico de qualquer paciente com febre e sintomas inespecíficos, principalmente diante do aumento expressivo de casos. O reconhecimento precoce é essencial para um acompanhamento adequado", destaca a especialista.

 

Em crianças pequenas, os sinais da doença podem ser diferentes dos adultos. "As dores podem se manifestar por choro intenso e irritabilidade. Outros sintomas incluem febre alta, manchas vermelhas na pele, dores musculares e nas articulações, dor de cabeça ou atrás dos olhos, além de recusa de alimentos e bebidas, o que pode agravar a desidratação", explica Carolina Brites.

 

"No final do período febril podem surgir manifestações mais críticas, como vômitos persistentes, dor abdominal intensa, sangramento espontâneo, redução da quantidade de urina, sonolência ou irritação excessivas e extremidades frias. Em alguns casos, a doença pode começar de forma leve e só ser identificada quando o quadro grave já está instalado", conclui a infectologista.

 

Diante do cenário de aumento de casos, especialistas reforçam que a conscientização da população e a adoção de medidas preventivas são fundamentais para conter a propagação da dengue.

 

Sobre Carolina Brites

Carolina Brites concluiu sua graduação em Medicina na Universidade Metropolitana de Santos (UNIMES) em 2004. Especializou-se em Pediatria pela Santa Casa de Santos entre 2005 e 2007, onde obteve o Título de Pediatria conferido pela Sociedade Brasileira de Pediatria.

 

Posteriormente, especializou-se em Infectologia infantil pela Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP) e completou uma pós-graduação em Neonatologia pelo IBCMED em 2020. Em 2021, concluiu o mestrado em Ciências Interdisciplinares em Saúde pela UNIFESP.

 

Atualmente, é professora de Pediatria na UNAERP em Guarujá e na Universidade São Judas em Cubatão. Trabalha em serviço público de saúde na CCDI – SAE Santos e no Hospital Regional de Itanhaém. Além disso, mantém um consultório particular e assiste em sala de parto na Santa Casa de Misericórdia de Santos. Ministra aulas nas instituições de ensino onde é professora.

 

Carolina Brites CRM-SP: 115624 | RQE: 122965

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